Menu
RSS


«E Agora? Lembra-me» por André Gonçalves

Como filmar o sofrimento humano no meio de uma busca por um sentido para a vida? Joaquim Pinto não tem claramente todas as respostas, e E Agora? Lembra-me, inexplicavelmente fora de competição neste Queer, não é perfeito e não nos dá propriamente o que pensamos precisar. Mas por um lado, ainda bem.

É um filme em que a sua epicidade imperfeita joga muito bem com a fragilidade do protagonista: o próprio Joaquim Pinto, duplamente infetado com o vírus do HIV e da Hepatite C, e submetido portanto a um "cocktail" de tratamentos, enquanto busca respostas para a sua existência.

Embora seja um "cocktail" depressivo brutal para o espectador, sem dúvida, há luz aqui no meio das sombras e de tanto cuidado, felizmente. Joaquim, com a ajuda do seu companheiro Nuno, vai questionando, para além da existência humana (da genética à religião), a própria arte que o ligou à vida, e que nos traz a este filme, de maneiras em alguns casos bem surpreendentes ao subverter o tradicional "biopic" documental, tantas vezes reduzido a um acumular de entrevistas à 60 Segundos.

Não é um filme fácil de digerir, saliente-se novamente, e poderia com uma montagem menos misericordiosa passar a mesma mensagem de um modo mais sintético. Mas não me parece que Joaquim Pinto se preocupe com isso; não tem que se preocupar.

Este é, de qualquer das formas, dos olhares mais desconfortáveis sobre a intimidade humana que se viram em tempos recentes.


André Gonçalves
(Crítica originalmente publicada em setembro de 2013)



Deixe um comentário

voltar ao topo

Contactos

Quem Somos

Segue-nos