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«Mama» (Mamã), por Jorge Pereira



Pegando na sua curta-metragem «Mamá», que passou pelo Fantasporto em 2009, Andrés Muschietti desenvolve uma longa-metragem com o selo de qualidade de Guillermo Del Toro. Para ser honesto, este “selo” vale o que vale. Se «O Orfanato» - que também tinha essa marca – foi realmente um filme conseguido, «Não tenhas medo do escuro» foi um tiro no pé, isto apesar das boas intenções de tentar revitalizar um horror que era mais característico dos anos 70.
 
Neste «Mamã» estamos mais perto da qualidade de sustos de «O Orfanato», mas ainda assim denota-se que se visualmente o filme até consegue resultados eficazes, a sua narrativa sofre de falta de originalidade e uma tendência para um terror de certa maneira gasto, mas que sobrasai nos dias de hoje por se afastar da estrutura found footage tão na moda.
 
Victoria (Megan Charpentier) e  Lilly (Isabelle Nélisse) são duas meninas que são levadas pelo pai para lugar incerto. Um acidente leva-os até uma casa num bosque onde uma entidade assume a sua proteção. Anos mais tarde, as jovens são encontradas e reencaminhadas para casa do tio  (Nikolaj Coster-Waldau), um homem que vive com a sua namorada (Jessica Chastain), a guitarrista de uma banda punk. Aos poucos vamos descobrindo que as pequenas – com grandes dificuldades de comunicação e em lidar socialmente (em especial a mais nova) – permanecem sob a presença da entidade que as acolheu e protegeu na casa do bosque – o que vai gerar problemas e sustos para os novos pais adotivos.
 
«Mamã» é um filme conseguido num género cada vez mais preso a remakes e sequelas em busca do sucesso. A forma como está construído e filmado torna-o numa obra de mistério onde não faltam os sustos e uma boa dose de sobrenatural com ligações a eventos do passado. Esta tendência de contar histórias de fantasmas presos no nosso mundo, por questões dramáticas não resolvidas, tem sido explorada até ao tutano no cinema de terror, em particular – desde os anos 2000 - na ásia, onde o J-Horror parece se ter esgotado sempre com a mesma história e apenas com algumas variações.  Ainda assim, e apesar de não inventar a roda, «Mamã» é minimamente eficaz, especialmente pela forma como os seus atores credibilizam as ações, com particular destaque para uma Chastain competente e especialmente para o duo de crianças que sabe gerir muito bem a expressividade entre o medo e a ligação maternal à entidade sobrenatural. A escolha de planos e ângulos para filmar algumas cenas e a maneira como Muschietti pega em situações quotidianas (limpar um armário, lavar a roupa) e as transforma em momentos de tensão, tem bastante valor, ainda que para isso se recorra demasiadas vezes a alguns simbolismos bafientos (insectos, sons aterrorizantes semelhantes aos de outros filmes, etc) e à nítida necessidade de explicar em demasia todos os elementos.
 
Assim, e no todo, os fãs de terror até não sairão muito desiludidos com esta experiência (tem sustos), mas também é verdade que não a manterão na mente durante muito tempo (demasiados clichés).
 
O Melhor: A forma como é apresentada a relação medo/sentido maternal entre as crianças e «A mãe»
O Pior:  Muitas marcas, simbolismos e clichés
 

 
 Jorge Pereira
 
 


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