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«Jack Reacher» por Roni Nunes



Tom Cruise cresceu como ator numa era onde os ídolos cinematográficos com algum talento e ambição assumiam o comando artístico e comercial das suas próprias carreiras. Ainda há pouco estreou por cá uma obra apadrinhada por Brad Pitt, outro já quase veterano, onde é possível identificar um tipo de trajetória semelhante: projetos mais “comerciais” são intercalados com outros de cunho mais autoral. 

Mas se na entressafra de Brad Pitt o momento é de ousadia ao assumir uma história do submundo do crime com comentários políticos (“Mata-os Suavemente”), o homem da “Missão Impossível”, cuja última aventura “alternativa” foi “Peões em Jogo” (2007), surge neste momento com algo mais clássico e onde é fiel a si próprio. O que em si não nem bom nem mau.

Um sniper atinge cinco pessoas ao calhas num parque. A investigação é rápida e o sujeito é logo encarcerado. Mas se o promotor público (Richard Jenkins), recordista em condenações à morte, acha que terá a vida facilitada, está muito enganado: o seu mais do que óbvio assassino, ao invés de confessar, chama por Jack Reacher, um enigmático militar reformado que desapareceu do mapa. E quando este aparece, não é para ajudar. Para piorar, terá o apoio da filha do promotor, advogada de defesa do suposto assassino (Rosamund Pike) – numa retoma, curiosamente recorrente no cinema americano, da fantasia da filha advogada e fria que se volta contra o pai (e a mãe está ausente).

A personagem-título vem das histórias de Lee Child, escritor inglês que criou um ex-militar cheio de aptidões e cuja peculiaridade máxima foi ter abandonado o exército que serviu com distinção para procurar um tipo de liberdade pouco comum – desaparecer dos registos e não ter nenhum bem. Quando o filme o apresenta, ele está levar uma bela vida à James Bond…

A meio caminho do super-herói, a sua missão é a “justiça” – e é pela via pantanosa do justiceiro que “Jack Reacher” avança e parece que vai afundar definitivamente – particularmente quando surge a dramatização do conceito de isonomia segundo o sofrimento da vítima. Esta dá-se com a exigência que Reacher faz à sua futura partner de entrevistar os familiares das pessoas mortas para decidir se quer mesmo continuar a defender um assassino. O twist, no entanto, garante a melhoria das contas, embora a opção pela execução sumária, seja de que vilão for, agrada mais ao desejo de catarse do público do que a uma abordagem realista da questão criminal.

Ainda assim, muito mais do que parece, esta é uma história de investigação à moda antiga, onde a inteligência conta mais do que pancadaria (longe de estar ausente, no entanto) e onde pequenas pistas vão fornecendo as deixas para as sequências seguintes. Christopher McQaurrie (aqui no seu segundo filme) não é nenhum génio, mas cria um filme envolvente e com um verdadeiro mistério, que só peca por uma resolução baseada em cercos e tiroteios que não faz jus à inventividade do resto. 

O Melhor: uma envolvente história de mistério
O Pior: o final muito banal
 

 
 Roni Nunes
 


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