Menu
RSS

Hugo Gomes

«Manchester By the Sea» por Hugo Gomes

  • Publicado em Critica

Dramaturgo, argumentista e agora realizador (contando com três obras no curriculum), Kenneth Lonergan parece cada vez mais chamar a atenção no campo dramático do cinema norte-americano atual, e não é por menos. Manchester By the Sea é-nos apresentado como uma faca afiada de enfâses dramáticas e picos de emotividade através da, e somente, a adaptabilidade dos seus atores, neste caso especifico, Casey Affleck.

Irmão mais novo da reascendente estrela de Hollywood, Ben Affleck, Casey é aquilo que vulgarmente poderíamos denominar de “ninja”, ninguém parece dar por ele, mas quando por fim se revela, é arrebatador. É difícil ficar indiferente ao seu underacting (vertente popularizada por Marlon Brando em que descredibiliza os rasgos de interpretação dramática). Atualmente, Tommy Lee Jones detém o título de mais sucedido dessa categoria, porém, Affleck converte-se numa autêntica carta de trunfos ao conseguir fugir das eventuais armadilhas do campo da comédia involuntária que a sua personagem e enredo parecem suscitar. Por exemplo, a sequência do hospital, após o anúncio de morte do seu companheiro confraternal, a sua visível indiferença abate-nos com um indigestível sabor de dúvida. Por momentos suspeitamos de “canastrice”, mas cedo somos engolidos pela sua figura vencida pela dor, cuja origem será desvendada mais tarde.

Sim, Casey Affleck é o melhor que o novo filme de Lonergan tem para nos oferecer. O resto induz-nos para o maior engodo de “colo”. Ao contrário das aclamações que têm sido viabilizadas lá fora, Manchester By the Sea é enfraquecido pela tendência de Lonergan transformar este ensaio de interpretações num filme, sob o signo cinematograficamente mainstream. Até porque o importante é chegar às audiências mais vastas e, porque não, miná-lo de flashbacks. A cortante e afiada fórmula narrativa parece despedaçar a minimalidade do enredo (pelo menos era o que julgávamos) e o plot twist precocemente concebido trai-nos e leva-nos a uma previsibilidade sem limites quanto aos modelos de redenção emocional.

A viagem torna-se então atribulada, mas Casey Affleck é um resistente, a demonstrar que é um campeão no que requer a embater em filmes que, cada um à sua maneira, fogem da conformidade do espectador. Longe da obra-prima que fora catalogado, Manchester By the Sea é a presença de um actor pouco convencional nas tendências oscarizadas.

O melhor - Casey Affleck e o seu underacting

O pior - ser "glorificado" a obra-prima

Hugo Gomes

Entrevista com Sinde Filipe, o ator de «Zeus»

Foto: Mafalda Martins

Zeus, a primeira longa-metragem de Paulo Filipe Monteiro, apresenta-nos a história real de um escritor ascendido a Presidente da República, que passado dois anos de mandato vira as costas ao máximo cargo para viver no anonimato numa Argélia colonial. Esta é a biografia de Manuel Teixeira Gomes, um homem, actualmente, esquecido da memória dos portugueses, que encontra nova vida na interpretação de Sinde Filipe. C7nema falou com o veterano ator, um dos mais queridos da sua arte, demonstrando o quanto sabe sobre esta desafiante personagem.

O que lhe interessou em Manuel Teixeira Gomes?

Manuel Teixeira Gomes interessou-me por vários fatores, como cidadão, exemplar devo dizer, como diplomata, como presidente, mas sobretudo pelo seu lado de escritor. Esse seu lado é grande, pelo que deve ser lido, e irá ser lido.

Mas actualmente a obra de Teixeira Gomes encontra-se um "pouco" esquecida.

Não, muito esquecida, é por isso que este filme é importante. Para trazer à memória dos portugueses esta personalidade tão rica e de grande relevância literária.

Fez pesquisa sobre a personalidade ao integrar o elenco de Zeus?

Obviamente que fiz uma pesquisa sobre a personagem. Contudo, devo dizer que já tinha conhecido desta importante figura, mas foi durante a pesquisa e a sua encarnação que tentei descobrir mais e mais sobre Manuel Teixeira Gomes. Tentei impregnar a personagem, espero ter feito justiça.

Ao longo da rodagem, descobriu algo de novo em Manuel Teixeira Gomes que não havia encontrado durante o seu processo de pesquisa?

Não lhe consigo dizer, tenho a noção de que as biografias que li fora devidamente esclarecedoras e clarificadoras quanto à sua personalidade. Não senti, de todo, que ao longo filme tenha feito alguns importantes descobertas. Julgo que não tenho acrescentado muito sobre a sua figura.

O período que Manuel Teixeira Gomes integra, é um período esquecido entre os portugueses. Até mesmo nos manuais de História. Acha importante explorar no cinema esta subestimada época? Visto que exploramos em demasia o período salazarista.

Da mesma forma como referi a figura de Teixeira Gomes, este filme também tem o dever de trazer à memória dos portugueses esta fatia de História pouco falada, os primeiros passos da República em Portugal. E claro, Manuel Teixeira Gomes é uma personagem, que em muitos aspetos, precisa de ser redescoberto e revalorizado nos dias de hoje. Precisamos tirá-lo da sombra.

Manuel Teixeira Gomes foi um homem dividido entre o seu lado artístico - a escrita - com a sua politica. Qual destes lados vingou-se na nossa História? Segundo a sua opinião.

Como escritor. Ele quando esteve na presidência não escreveu muito, aliás ser Presidente sobrepôs-se bastante à escrita. Foi como fizesse uma pausa nessa sua vertente artística, felizmente foram só dois anos. Porque a politica não o invalidou de ser o grande escritor, pelo qual deve ser reconhecido.

Ele sempre foi um escritor, acima de politico, mesmo na sua fase de diplomata, Teixeira Gomes não desistiu de escrever. Apenas parou temporariamente essa sua arte durante o seu cargo presidencial.

Novos projetos?

Apenas teatro, foi trabalhar numa peça que fora feita por Villaret há muitos anos, Esta Noite Choveu Prata

Yorgos Lanthimos e Kirsten Dunst preparam série de TV

Yorgos Lanthimos (A Lagosta, Canino) está a desenvolver para a AMC a série On Becoming A God in Central Florida, uma comédia negra que será protagonizada por Kirsten Dunst (Fargo).

Lanthimos e George Clooney estão entre os produtores. Passada nos anos 90, a produção segue Krystal Gill, uma mulher que trabalha num parque temático mas que encontra o caminho para o sonho americano através de um esquema em pirâmide.

Robert Funke e Matt Lutsky vão escrever o argumento, não sendo certo que Lanthimos realize todos os episódios.

Ralph Fiennes e Hugh Laurie em versão cómica de «Sherlock Holmes»

Os atores Hugh Laurie e Ralph Fiennes irão integrar o elenco da comédia Holmes and Watson, a terceira colaboração entre Will Ferrell e John C. Relly para a Sony Pictures.

Contando com o argumento e direção de Etan Cohen (Faz-te Homem), esta produção prevista para estrear em 2018 será uma variação humoristica das famosas personagens de Arthur Conan Doyle, o detetive Sherlock Holmes e o seu assistente Dr. John H. Watson. Ferrell será Holmes, enquanto que C. Relly desempenhará Watson.

Até ao momento, ainda não foi definido as personagens que a dupla Fiennes / Laurie irá interpretar. No elenco poderemos ainda encontrar Kelly Macdonald (Anna Karenina), Rebecca Hall (Chistine) e Rob Brydon (Cinderella). 

«Cruzeiro Seixas - As Cartas do Rei Artur» por Hugo Gomes

  • Publicado em Critica

Será este Cruzeiro Seixas: As Cartas do Rei Artur, o documentário falhado de Mário Cesariny? Falhado, porque o foco da câmara embica para um outro vértice, não do poeta e pintor surrealista que tanto se fala e no qual é referido como uma das mais valiosas prestações portuguesas no campo da arte contemporânea.

Artur Cruzeiro Seixas, o outro artista, possui uma ligação incontornável no percurso emocional e artístico de Cesariny, a câmara de Cláudia Rita Oliveira logo cedo fica seduzida pela sua figura, aquela postura de derrotado, passando ao lado da verdadeira notoriedade, daquela luz que todos os artistas ambicionam chegar. Porém, o "mestre", como é várias vezes apelidado, é um anfitrião afável que deixa à vontade quer o espectador, quer o ensaio documental de Oliveira. A sua ironia vencida contagia o resto. Deixemos então, reféns dessas suas palavras, das memórias enriquecidas pelos escritos trocados entre dois seres, umbilicalmente interligados às suas convenções artísticas, assim como, cada um à sua maneira, na procura de um espaço afectivo que os não julga.

Talvez seja por isso, que é impossível desligar Cesariny de Cruzeiro Seixas, e Cruzeiros Seixas de Cesariny. O testemunho de uma vida no limiar do limbo vivente e o fantasma que encoraja esse mesmo pesar. No seu limite, As Cartas do Rei Artur é um filme sobre a morte de Cesariny contado pelo seu mais intimo amigo … e, porque não … amante. Mas, por sua vez, Cláudia Rita Oliveira direciona a lente, aponta o holofote na sua pessoa e assim, em paralelo com o artista-sombra, seguimos o percurso deste subestimado, "mestre" de nome, porém, não ainda de título. Neste território artístico que é um campo de batalha onde a luta é desigual, Cruzeiro Seixas é dos grandes derrotados. O filme serve-lhe de consolo, de "prémio de participação", criativo na variação do seu paladar.

Todavia, Cruzeiro Seixas, este menosprezo incontável, poderá ter os dias expirados, e na deriva das profecias deste documentário biográfico e memorial, o pintor surrealista poderá por fim conhecer esse afortunado destino. Aliás, ele é a grande alma deste projecto, a sua personalidade é a narrativa condutora, a sua grandiloquência converte e atira Cláudia Rita Oliveira para segundo plano. Ela não guarda rancor, até porque o filme existe sob um signo apenas - o signo de um Rei Artur. 

Hugo Gomes

O premiado «Ma Vie de Courgette» em estreia no Monstra 2017

O filme suíço Ma Vie de Courgette (My Life as a Zucchini), de Claude Barras, apontado como um eventual candidato aos Óscares da Animação deste ano, contará com antestreia portuguesa na próxima edição da Monstra | Festival de Animação de Lisboa.

Apresentado pela primeira vez na Quinzena de Realizadores de Cannes, Ma Vie de Courgette, sobre a história de um rapaz que após o desaparecimento da sua mãe é forçado a viver num orfanato, conquistou no Festival de Annecy o Prémio do Público e o Cristal para Longa-Metragem (o mais importante galardão desse certame). De momento, conta com uma nomeação aos Globos de Ouro.

Ma Vie de Courgette irá integrar a Competição de Longas-Metragens do festival lisboeta ao lado de Molly Monster, de Ted Sieger, que teve estreia na passada edição do Berlinale e que conta com uma premiação no Shangai Film Festival. O enredo de Molly Monster centrará nas aventuras de um amoroso monstro.

Monstra | Festival de Animação de Lisboa, terá lugar nos dias 16 e 26 de março de 2017.

«Zeus» por Hugo Gomes

  • Publicado em Critica

Se considerarmos Zeus um biopic é como se a banalizássemos perante os seus "primos" americanos (que segundo Tarantino são motivos para atores vencerem Óscares) e de alguns dos horrores nacionais que temos vindo a testemunhar nos últimos anos.

A primeira longa-metragem de Paulo Filipe Monteiro é uma descoberta por um período quase negligenciado nos manuais de História e a ribalta de uma das figuras mais esquecidas no Portugal contemporâneo: um escritor de contos eróticos que ascende a Presidente de República; um homem que abandonou o seu cargo para poder viver no anonimato numa Argélia colonial. Trata-se de Manuel Teixeira Gomes, um ilustre caso de literatura nefelibata no nosso país, sendo que um filme sobre a sua personalidade requeria algo mais que somente fórmulas reutilizadas.

Zeus não tenta de maneira nenhuma abandonar o seu estatuto de cinebiografia. A sua personalidade não o aflige como um caso único e inédito, quer no nosso panorama cinematográfico, quer em relação com o dito "World Cinema". Mas Paulo Filipe Monteiro tudo fez para o demarcar dos restantes produtos de linha de montagem que o subgénero tem atingido, e muito mais desligou-se da dependência televisiva que muito do cinema comercial português não consegue emancipar-se.

Até aqui existem motivos para sorrir. Zeus não é uma bestialidade como as mais recentes biopics nacionais. Relembro que já tivemos um Salazar playboy, uma Amália sob toques de loucura, e sem esquecer a quimera envolta no escândalo de Carolina Salgado. Por sua vez temos uma produção singela, bem intencionada (visto que vem recriar um pedaço de História esquecida), e um trabalho dedicado e forte por parte do ator Sinde Filipe, que transforma Manuel Teixeira Gomes num patriarcal bon vivant. Em nota, temos uma notoriedade na caraterização (coisa rara no cinema português) e efeitos práticos que nunca cedem à tendência failsafe.

O grande senão deste Zeus está naquilo que o realizador fortemente apostou, na narrativa dividida em três camadas, na constante oscilação, meio "salta-pocinhas", envolvida nas suas devidas particularidades (Ivo Canelas quebra a quarta barreira, a fotografia varia consoante a história centrada), porém, subentendidas numa conexão desfragmentada. Mas nada que nos impeça de usufruir dos propósitos desta recriação saudosista, com mais atenção à figura homenageada do que propriamente conceber-se numa incisão político-social de época. Se no caso do espectador é a procura do último ponto, então este não estará na sala certa.  

O melhor – Sinde Filipe e a demarcação de Paulo Filipe Monteiro em relação das fórmulas entranhadas da biopic

O pior – o saudosismo e a criatividade nas narrativas não serem simbiotícas

Hugo Gomes

Jackie Chan em Bollywood: trailer de «Kung-Fu Yoga»

Chega-nos o trailer de Kung-Fu Yoga, onde Jackie Chan será novamente um arqueólogo numa nova aventura dirigida por Stanley Tong, o realizador responsável pelo sucesso de O Mito.

Nesta produção sino-indiana, Chan terá que colaborar com a professora Ashmita (a estrela de Bollywood, Disha Patani) para conseguir encontrar um tesouro indiano perdido. Enquanto isso, são perseguidos por um temível descendente de um líder rebelde (Sonus Sood).

O filme tem a sua estreia em território chinês ainda no final deste mês . 

Woody Harrelson poderá fazer parte do Universo Star Wars

Woody Harrelson encontra-se em negociações para integrar o universo de Star Wars. O célebre ator de Assassinos Natos e Zombieland poderá participar no spin-off de Han Solo, de momento a ser preparado com Alden Ehrenreich a assumir o papel do famoso mercenário nos seus tempos de jovialidade. Se as negociações cumprirem, Harrelson interpretará o mentor de Solo.

Pouco se sabe sobre o projeto Han Solo: A Star Wars Story, a não ser que chega aos cinemas em maio de 2018, contando com a realização de Phil Lord e Chris Miller e o regresso da personagem de Chewbacca ao enredo. Emilia Clarke e Donald Glover estão igualmente cotados no elenco.

Online Film Critics Society escolhe «Moonlight» como Melhor Filme do Ano

Estamos cada vez mais próximos do fim da award season, e obviamente dos cobiçados Óscares da Academia. Entre os possíveis candidatos à estatueta de Melhor Filme, encontra-se Moonlight, a jornada humana de um jovem afro-americano na descoberta da sua mais intima natureza, tem sido apontado como um potenciais oscarizados de 2017, tendo como forte concorrente, La La Land. Porém, foi a obra de Barry Jenkins a arrecadar os principais prémios da OFCS (Online Film Critics Society), incluído o de Melhor Filme, Realizador (Jenkins), Ator Secundário (Mahershala Ali) e de Atriz Secundária (Naomi Harris). 

Casey Affleck, um dos favoritos ao Óscar de Melhor Ator, foi premiado pela sua prestação em Manchester By the Sea, e Natalie Portman considerada a Melhor Atriz por Jackie, de Pablo Larraín.

À imagem do ano passado, os asiáticos continuam a seduzir a associação, o novo trabalho de Chan-wook Park, The Handmaiden (A Criada), sucede assim ao A Assassina de Hsiao-Hsien Hou, na escolha para Melhor Filme de Língua Estrangeira. Enquanto que o estatuto de Melhor Documentário do ano caiu nas mãos de O.J.: Made in America e Kubo e as Duas Cordas, dos estúdios Laika, destrona a forte competição da Disney e Pixar na categoria de Melhor Filme de Animação.

 

Filme

Moonlight

Ator Principal

Casey Affleck, em Manchester By the Sea

Atriz Principal

Natalie Portman, em Jackie

Ator Secundário

Mahershala Ali, em Moonlight

Atriz Secundária

Naomi Harris, em Moonlight

Argumento Adaptado

Arrival por Eric Heisserer, Ted Chiang

Argumento Original

Hell or High Water por Taylor Sheridan

Edição

La La Land

Fotografia

La La Land

Filme de Língua Estrangeira

The Handmaiden

Filme de Animação

Kubo and the Two Strings

Documentário

O.J.: Made in America

Filmes sem Distribuição nos EUA

After the Storm

The Death of Louis XIV

The Girl With All the Gifts

Graduation

Nocturama

Personal Shopper

A Quiet Passion

Staying Vertical

The Unknown Girl

Yourself and Yours

 

Contactos

Quem Somos

Segue-nos