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Morreu Curtis Hanson, realizador e argumentista de «L.A. Confidencial»

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Morreu o realizador e argumentista Curtis Hanson, vencedor do Óscar de Melhor Argumento Adaptado por L.A. Confidencial em 1998, e detentor de algumas obras conhecidas como 8 Mile, o filme de sucesso protagonizado pelo rapper Eminem, e o thriller A Mão que Embala o Berço. Faleceu nesta terça-feira devido a causas naturais, revela a imprensa, tinha 71 anos. 

(Notícia em desenvolvimento ...)

A Festa do Cinema Francês regressa em outubro ... com Eric Cantona

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Marie et les Naufragés

O famoso futebolista e também ator Eric Cantona vai estar presente em Lisboa durante o mês de outubro, e não será o único convidado da 17ª Festa do Cinema Francês, mais uma edição da iniciativa levada a cabo pelo Institut Français. A decorrer entre 6 a 13 de novembro, fazendo digressão por mais de 11 cidades portuguesas, a mostra de cinema francês trará a realizadora Anne Fontaine, e não só, a autora de Coco Avant Chanel e Paixões Proibidas será a Madrinha desta edição. Uma retrospetiva será dedicada à sua homenagem, assim como a estreia nacional do seu mais recente filme, As Inocentes (Agnus Dei), que nos leva a uma missão da Cruz Vermelha  em apoio aos sobreviventes da Segunda Guerra Mundial, tendo como cenário um convento de freiras.

Quanto às antes-estreias nacionais, a 17ª Festa do Cinema Francês leva-nos aos encontro de Cézanne e Eu, a obra de Daniéle Thompson (também presente) sobre a relação de amizade entre o pintor Paul Cézanne e o escritor Emile Zola, e do novo filme de Xavier Dolan, Juste La Fin Du Monde (Tão Só o Fim do Mundo), uma adaptação de uma peça de Jean-Luc Largarde, possuidor de um elenco de luxo composto por Gaspard Ulliel, Léa Seydoux, Marion Cottilard e Vincent Cassel.

Mas o grande destaque desta edição é o ciclo ACID, sessões dedicadas à Association du Cinéma Indépendant pour sa Diffusion, que decorre todos os anos em paralelo com o Festival de Cannes, tendo como principal intuito de divulgar cinema independente assim como novos autores e novas linguagens cinematográficas. É de relembrar que esta associação foi responsável pelas proliferações de realizadores como a portuguesa Teresa Villaverde, o russo Alexander Sukourov e os franceses Benôit Jacquot, Jean-Claude Brisseau e Laurent Cantet. Serão seis filmes apresentados em sessões com realizadores presentes e ainda em anexo masterclasses diversas.

Agnus Dei

Em paralelo com a festa do que recente se faz no cinema francês é o constante olhar à sua História. A Cinemateca-Portuguesa Museu do Cinema continuará com a sua colaboração com o festival e este ano será dedicado a Bertrand Tavernier, ex-crítico e realizador, cujo programa não será uma retrospectiva do seu trabalho, mas sim um ciclo sobre os filmes que para o autor resumiram a História do Cinema Francês. Tudo como festejo da estreia de Uma Viagem pelo Cinema Francês com Bertrand Tavernier, um documentário da sua autoria que terá estreia portuguesa com o apoio da Midas Filmes.

Por fim, surge-nos a animação com as grandes novidades, as estreias de Tout En Haut Du Mond, de Remi Chayé, e do muito elogiado La Tortue Rouge (The Red Turtle), de Michael Dudok de Wit, um filme com a colaboração dos estúdios Ghibli.

Quanto ao leitor, que deve questionar, onde entra Eric Cantona nisto tudo. Bem, ele é só um dos protagonista de Marie Et Les Naufragés, o novo filme de Sébastien Betbeder (2 Automnes, 3 Hivers), que terá estreia nacional nesta Festa puramente "gaulesa".

A 17ª Festa do Cinema Francês decorrerá entre 6 a 16 de outubro, em Lisboa, no Cinema São Jorge, Cinema Ideal e Cinemateca-Portuguesa. A programação prolongará por outras cidades do país até dia 13 de novembro.

A programação completa poderá ser vista aqui 

«Bridget Jones's Baby» (O Bebé de Bridget Jones) por André Gonçalves

  • Publicado em Critica

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No papel, uma sequela de "Bridget Jones" com a palavra "Bebé" tinha tudo para falhar em 2016. Pior presságio seria só passar aos cães falantes (em defesa de "Olha Quem Fala Agora!", a saga começou logo com um bebé, e não um bebé qualquer... um bebé com a voz de Bruce Willis! Hah! ). 

Mas se há algo que "O Bebé de Bridget Jones" nos tenta ensinar em jeito de moral da história é que nem sempre o que está escrito num papel funciona dessa forma na prática. Bridget, agora com 43 anos (a atriz Renee Zellwegger tem uns impressionantes 47!), vê-se novamente dividida entre dois homens com os quais foi para a cama no decorrer de uma semana: Mark (o eterno Mr. Darcy, encarnado novamente por Colin Firth) e Jack (o McDreamy Patrick Dempsey), um guru das relações que consegue determinar matematicamente se um casal tem o que é preciso para funcionar ou não. "Raison d'être" do filme: usando preservativos fora do prazo, a nossa eterna solteirona não sabe qual é o pai do bebé que carrega agora no seu ventre.  

Se a sinopse parece colhida de um outro tempo, mais inocente talvez, o "gang" de escritores esforça-se bem para espicaçar a trama com a sociedade do "agora". Da última vez que tínhamos visto Bridget e companhia, o iPhone não tinha sido ainda lançado - muito menos o FaceTime ou o Tinder, os casais homossexuais ainda não se podiam casar quer no Reino Unido quer nos Estados Unidos, e ainda nos faltava encontrar a nova geração de "hipsters" que entretanto se iria formar com a proliferação de redes sociais. Todas estas temáticas (FaceTime, encontros online, gays a casar e a adotar, hipsters de barba "pipi" viciados em redes sociais), e mais algumas estão presentes aqui, num filme que aparenta por vezes ser um "Scream 4" para as comédias românticas, com esta necessidade de mostrar que fez todas as atualizações necessárias, enquanto pisca o olho ao passado - e insistindo em repetir alguns erros, diga-se de passagem. 

O segundo filme ("O Novo Diário de Bridget Jones" de 2004) soava a apressado e acessório; doze anos depois, o terceiro filme volta a parecer-nos vital por motivos inicialmente alheios, mas que se vão revelando por força do próprio argumento. E é precisamente a olhar para os créditos desta segunda sequela que encontramos justificações para tudo isto funcionar tão bem como da primeira vez. Emma Thompson não só adquire aqui um papel secundário hilariante, como ajudou a escrever o argumento (ela que escreveu a adaptação de "Sensibilidade e Bom Senso" realizada por Ang Lee, entre outras obras, recorde-se), juntamente com Helen Fielding (nada mais nada menos que a autora do "franchise") e Dan Mazer (o senhor que escreveu a trilogia de Sacha Baron Cohen "Ali G", "Borat" e "Bruno"). E Sharon Maguire, realizadora do primeiro filme, volta à cadeira de realização.

Tudo isto se reflete no ecrã: as gargalhadas são tão espontâneas como da primeira vez, e os atores, mais enrugados e envolvidos nos seus papéis originais soam como se tivessem vivido os últimos 15 anos nas suas personagens - uma vitória particular para Renee Zellwegger, que lembremos foi nomeada a um Óscar por este papel, e em tempos recentes foi acusada de ter ido à faca (o filme mostra o contrário). O próprio filme farta-se de gozar com o estatuto "geriátrico" da gravidez de Bridget, convencido não só a mostrar que sabe tanto como o espectador do ponto narrativo extremo a que chegou para trazer o "gang" de volta - como a tirar o melhor partido desse extremo.  

 

A certo ponto, o mecanismo de comédia romântica patriarcal entra, e não há piada ou humor físico que sirva para disfarçar em última instância tal previsibilidade. Sem querer estragar muito a revelação de "quem é o pai?" - que, convenhamos, se torna completamente secundária aqui, a verdade é que dificilmente o espectador pode esperar outro desenlace que não uma resolução com um "fantoche". Muitos argumentarão que, independentemente da previsibilidade, este é o final que a solteirona Bridget merece; mas ao mesmo tempo, qual saga de terror para muitos homens heterossexuais, o filme parece disposto a seguir em frente com mais sequelas com a revelação nada ingénua de um pedaço de informação nos últimos segundos de película...     

O melhor: o estado de graça recuperado 15 anos depois - mérito de toda a equipa original, e da nova recruta Emma Thompson. 

O pior: a previsibilidade dos procedimentos e a ameaça de avançar em frente e estragar o que foi feito aqui.  

 

André Gonçalves

 

«Captain Fantastic» (Capitão Fantástico) por Hugo Gomes

  • Publicado em Critica

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Automaticamente encontramos em Capitão Fantástico, a segunda longa-metragem de Matt Ross, um ensaio comparativo com a pouca ortodoxa obra de Yorgos Lanthimos, Canino, o qual se depara com uma distopia induzida, o como distorcer e controlar o nosso quotidiano, o mundo que olhamos e idealizamos regendo a essas ideias implementadas por órgãos superiores. Enquanto que o grego levava essa vertente para uma alegoria de caverna de Platão, em Capitão Fantástico a situação declara-se inicialmente como um "grito de guerra" aos costumes ocidentalizados. 
 
Viggo Mortensen é esse "fantástico líder", um homem eremita que se refugia nos densos bosques americanos, dependendo do seu instinto e intelecto para sobreviver (pronto e uma "ajudinha" a nível de segurança social, pormenores, enfim). Em acréscimo, ele é um pai de 6 crias, o qual educa segundo as suas revolucionárias ideologias, promessas feitas para a sua falecida mulher, juras de uma impotente tendência de "mudar o Mundo" da sua própria formatação. Pois bem, até certo caminho, esta "estranheza" nada nova de Capitão Fantástico conquista-nos com a sua crítica social, ingénua é certo, mas constantemente desafiadora da "perfeita comunidade" que se dá pelo nome de EUA. 
 
Neste percurso, previsivelmente anexado a mais uma road trip (como o cinema norte-americano independente adora viagens pela estrada fora), os alvos são muitos, desde a educação escolar (ou a insuficiência desta) até ao entranhar religioso nos nossos dias (a magnífica ideia de Ben substituir o Natal pelo dia de Noam Chomsky), passando pela falta de senso crítico individualista. Até determinado ponto, Capitão Fantástico sabe "puxar" os fios de forma correta, porém, estamos a falar de um obra de vertente indie, daquela classe que adequadamente figuraria num Festival Sundance (na verdade o filme chegou mesmo a estrear no dito festival norte-americano), ou seja, tudo acaba por recorrer ao território moralista, mais do que o suposto intimismo. 
 
Quando o macguffin do filme revela-se numa família atípica a lutar para dar à falecida mãe e mulher um funeral digno às suas "crenças", entra em cena uns supostos antagonistas, os sogros de Ben (interpretados por Frank Langella e Ann Dowd), fervorosos religiosos e de frutíferas posses. A partir deste momento, Matt Ross tenta encontrar um "meio termo" entre o modo de vida pouco ortodoxa levado a cabo pelo protagonista e dos costumes "normais" de uma cultura ocidentalizada deste par de personagens. Falha a crítica, a perspetiva, a ousadia de transgredir o pensamento comum e por fim, a queda para o registo coming-to-maturity
 
Capitão Fantástico, alusão ao energético álbum de Elton John (Captain Fantastic and the Brown Dirt Cowboy), sobrevive graças a uma ideia, a uma sugestão que não é levada avante em derivação do politicamente correto que afronta os nossos dias, sem percebemos que essa atitude de não ferir suscetibilidades converte-se na sua maior ofensa. No final é isto, um filme cobarde apenas erguido com a força do seu protagonista. Pois bem, Viggo Mortensen é verdadeiramente o "fantástico" do título. Graças a Noam Chomsky!  
 
O melhor - Viggo Mortensen e a ideia sugerida
O pior - a ideia fica somente isso, numa ideia
 
 
Hugo Gomes
 

 

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