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Trailer: «Shaun The Sheep» regressa em mais um filme

Shaun The Sheep, ou em bom português Ovelha Choné, vai protagonizar mais um filme. Depois do êxito de 2015, a criação em stop-motion dos estúdios Aardman (os mesmos de Chicken Run e as aventuras de Wallace & Gromit) vai confrontar-se com uma invasão alienígena. O primeiro trailer já se encontra disponível.

Shaun the Sheep Movie: Farmageddon, dirigido por Richard Phelan e Will Becher, contará com estreia nos inícios de 2019 (em Portugal aposta-se com antestreia no Festival Monstra).

«Roma» é o filme do ano para a Sight & Sound

Chegou a vez da revista Sight & Sound divulgar os melhores do ano. Roma, a obra de Alfonso Cuáron, conquistou mais uma lista, desta vez constituida por 20 títulos, escolhidos por 164 críticos internacionais. Entre os mais bem destacados estão ainda os mais recentes trabalhos de Paul Thomas Anderson e do sul-coreano Chang-Dong Lee.

1º Roma (Alfonso Cuarón)

Phantom Thread (Paul Thomas Anderson)

3º Burning (Chang-Dong Lee)

Cold War (Pawel Pawlikowski)

First Reformed (Paul Schrader)

6º Leave No Trace (Debra Granik)

7º The Favourite (Yorgos Lanthimos)

You Were Never Really Here (Lynn Ramsay)

Lazzaro Felice (Alice Rohrwacher)

Zama (Lucrecia Martel)

11º Le Livre d'Images (Jean-Luc Godard)

12º If Beale Streets Could Talk (Barry Jenkins)

13º BlackKklansman (Spike Lee)

16º Shoplifters (Hirokazu Koreeda)

16º The Other Side of the Wind (Orson Welles)

16º Shirkers (Sandi Tan)

17º Sorry To Bother You (Boots Riley)

20º Visages Villages (Agnès Varda, JR)

20º Western (Valeska Grisebach)

20º The Rider (Chloe Zhao)

«A Nossa Loucura » (Our Madness) por Hugo Gomes

  • Publicado em Critica

Por mais (más) críticas que existam, assim como desprezo vindo (principalmente) da imprensa portuguesa, A Batalha de Tabatô foi possivelmente um dos primeiros filmes nacionais a apresentar uma África sob uma perspetiva fora do olhar colonialista. Uma canção de amor frente ao ódio, assim como mandam as melodias reconhecíveis e imortalizadas de John Lennon. Pegando agora em Our Madness, a segunda longa-metragem de João Viana, Tabatô ficou além, converteu-se num espectro cada vez mais longínquo (até de certa maneira, parte integrante dessa nova conceção). Nesta nova “loucura”, a narrativa torna-se mais críptica, o simbolismo apodera-se da encenação do real, os horrores tornaram-se abstratos, assim como a nossa memória da história.

Aqui, a Guiné de Tabatô é substituída por Moçambique, um país registado pelos olhos da loucura oriundas de um sanatório, onde um muro separa esse biótopo utópico das diferentes devaneações para com o vermelho-sangue dos assombrados.  Como Gil Vicente e as suas Barcas Infernais, o Louco corresponde à figura do verdadeiro sem o filtro da cordialidade civil, hoje, equiparado a discursos populistas. Em Our Madness, essa loucura materializa-se em fantasias impactantes em direção ao centro da raiva exercitada pela Humanidade. Novamente a Guerra Colonial serve de fronte às sentenças da culpa branca, e a Escravidão um elo para com o ensurdecedor silêncio que se faz sentir.

É um filme que presta no seu “surrealismo”, assim chamaremos com a nossa indiscrição, à vontade de ser decifrado. Contudo, o críptico deste amontoado de representações prende-se, não fechando um filme mas tornando-o vaporoso, não denso, e sim etéreo. As interpretações são múltiplas nesta viagem por uma narrativa quase isente de diálogos, onde a voz off sussurrante atenta-se de forma xamânica nas diferentes questões (essa encruzilhada representativa leva-nos a encontrar gratuidade nas próprias reinvenções do fisico). Desde o país imaginário nunca concretizado, aquele visto pelos olhos do louco(a), ou dos ídolos ocidentais que não se vingam em terras sangrentas cujo vermelhão é diversas vezes filtrado pelo preto-e-branco (a fotografia é da autoria de Sabine Lancelin, que trabalhou com cineastas como Manoel De Oliveira, Raoul Ruiz ou João Mário Grilo) ou até mesmo pelo negativo (o contraste do eros e thanatos).

Our Madness é assim, uma viagem por grifes da irracionalidade, o único pensamento digno de uma Humanidade em autodestruição. João Viana aproxima-se mais das montanhas sagradas de Jodorowsky, é o dialogo profano a prevalecer sob a naturalidade das coisas. Mas falamos de temas abstratos aqui, o colonialismo continua a prevalecer como algo (não)concreto apenas enraizado na fé de alguns. Tabatô está longe, a Loucura sente-se, e João Viana persiste.

Hugo Gomes

«Joy» vence Festival de Marraquexe

A segunda longa-metragem de Sudabeh Mortezai, Joy, sobre uma mulher nigeriana forçada a entrar no mundo da prostituição, vence a Estrela de Ouro, prémio máximo do 17ª edição do Festival de Marraquexe. A cerimónia de gala foi apresentada pela atriz italiana Monica Belluccci.

Quanto aos outros premiados; La Camarista da mexicana Lila Avilés que conquistou o Prémio de Júri, o de Realização segue para as mãos do estreante Ognjen Glavonic e o seu The Load, Nidhal Saad é o Melhor Ator por Look at Me (Regarde-moi) e Aenne Schwarz como Melhor Atriz em All Good.

O cineasta James Gray presidiu o júri deste ano, que constituído pelas atrizes Dakota Johnson e Ileana D’Cruz, pela artista visual Joana Hadjithomas, pelos realizadores Laurent Cantet, Lynne Ramsay, Tala Hadid e Michel Franco e o ator alemão Daniel Brühl.

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