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“A Terra Prometida”: amores platónicos e vacas mortas

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Os agentes comerciais Steve Butler (Matt Damon) e Sue Thomason (Frances McDormand) parecem ter uma missão fácil: convencer uma população rural empobrecida a assinar, pela promessa de uma boa quantia em dinheiro, um contrato que permite, à companhia para a qual trabalham, fazer perfurações nas suas terras a fim de explorar gás natural. 

Com o que eles não contavam era com dois indivíduos que se converterão em verdadeiras pedras nos seus sapatos: um engenheiro físico reformado (Hal Holbrook), que fez questão de informar à sua vizinhança sobre os perigos ambientais do procedimento conhecido como “fracturação”, e de um ecologista muito agressivo (John Krasinski) que aparece não se sabe de onde a distribuir fotos de vacas mortas para dar à população um vislumbre do caos. Paralelamente, Butler vai mantendo uma relação platónica com uma professora local, Alice (Rosemarie de Witt), ao mesmo tempo que o filme vai criando o idílio da vida no interior em contraposição à ganância dos citadinos.

Polémicas ambientais

Depois de um lançamento restrito no final do ano passado, “A Terra Prometida” que visava abocanhar qualquer coisa dos Oscars (sem sucesso), o filme de Gus Van Sant esteve na competição oficial do Festival de Berlim. Neste período esteve envolto em grande polémica – relacionada a principal questão que o filme coloca: os riscos ambientais do processo de “fracturação” como meio de perfurar o solo. As empresas do setor acusaram a obra de inventar problemas onde eles não existiam e uma instituição foi mais além – afirmando que o filme foi financiado por uma companhia petrolífera dos Emirados Árabes Unidos a quem interessaria criar obstáculos à exploração do gás natural (algo negado pela produtora). 

A estreia de Matt Damon

O projeto estava previsto para ser a estreia do ator na realização, mas este terminou por declinar alegando conflitos de agenda. Mesmo assim permaneceu ligado à produção, a qual assina em conjunto com Krasinski e Chris Moore – chamando seu velho amigo Van Sant (que o dirigiu em “O Bom Rebelde” e “Gerry”) para tratar do assunto. Por falar em Damon, é de esperar com expetativa o seu próximo trabalho – “Elysium”, ficção científica do realizador de poderoso “Distrito 9”, Neill Blomkamp – previsto para agosto. Jodie Foster também entra.

 

 

 

 

 

“Nómada”: os aliens apaixonados e a maldição do Crepúsculo

Os visitantes alienígenas tomaram conta do planeta operando diretamente no cérebro dos humanos. Com uma tecnologia mais avançada e com total controlo dos impulsos desagradáveis dos habitantes locais, eles criaram um mundo extremamente pacífico e sem doenças. Mas, também, sem amor e sem paixão…

E é por estes valores que luta Melanie Stryder (Saoirse Ronan), cujos irmão Jamie (Chandler Canterbury) e namorado Jared (Max Irons) estão num refúgio onde um pequeno grupo de sobreviventes resiste à ocupação. Quando um alienígena conhecido por “Nómada” é introduzida no seu cérebro, Stryder revela-se uma hospedeira forte o suficiente para não ser completamente aniquilada pela invasora – conseguindo com que esta a leve até o esconderijo, onde vai despertar reações nada consensuais. Claro que daí até o final há amor para todo o lado – e até a alien que vive na cabeça da hospedeira vai se apaixonar… Ao mesmo tempo, são perseguidos por uma implacável Batedora (Diane Kruger).

A maldição do Crepúsculo – parte 1

 “Eu não acredito que este filme esteja tão definido em termos de público-alvo. Eu acho que o nosso filme é para pessoas de sexo e idade diferentes”, disse Max Irons em entrevista ao site Omelete, sobre a inevitável comparação entre esta obra e a saga “Crepúsculo”. Infelizmente para ele, a sua tentativa de separar o joio do trigo tem-se revelado inútil.

“Nómada”, baseado num romance escrito por Stephenie Meyer depois dos volumes que compõem a sua famosa saga vampiresca, é daqueles projetos que nasce “amaldiçoado” pela sua herança: tanto os críticos quanto parte do público têm-lhe recusado a hipótese dele ser outra coisa que não mais um romance de cordel para o público feminino. Por um lado, se e é certo que o filme é mais fluído, tem um elenco melhor e uma história com mais reviravoltas do que “Crepúsculo”, por outro é bastante questionável que exista mesmo muito mais para se procurar neste “Nómada”.

Não se trata, unicamente, de ser cheio de paixões adolescentes – com atores escolhidos mais pelo visual (exceção de Ronan) do que porque qualquer atributo dramático que eventualmente possuam (caso de Irons e Jake Abel). Também não é mal em si haver romance – mas o problema é que a lógica e a simplicidade tosca destes relacionamentos dificilmente o afastam dos seus primos morcegos/lobisomens.

A maldição do Crepúsculo – parte 2

Aquilo que podia contrabalançar as lamechices e, eventualmente, levar um toque autoral de um realizador de culto como Andrew Niccol (de “Gattaca”, “O Senhor da Guerra” e “Sem Tempo”) – que aqui fica-se por uma construção visual extremamente eficiente – seriam os antagonistas. Ocorre que eles não só se afastam das sombrias distopias da ficção científica sobre invasores alienígenas como nem sequer competem com os próprios vilões de “Crepúsculo”, os terríveis Volturi – a coisa mais divertida alguma vez imaginada por Meyer. 

É certo que em “Nómada” as suas noções de ordem, disciplina e aniquilamento do indivíduo assemelham-se a qualquer idílio fascista, mas esta assepsia totalitária é explorada de tal maneira leve que a maior parte do tempo eles parecem bastante bonzinhos.  Será mesmo bom negócio para o mundo que os violentos, apaixonados e mentirosos humanos consigam destruí-los? A própria Diane Kruger, que vive a perseguidora dos humanos, colocou a coisa nestes termos numa entrevista de divulgação do filme – afirmando que “nós (humanos) com todos os defeitos que temos talvez sejamos o mal deste mundo…”

Os grandes poderes de Stephenie Meyer

A escritora do “Crepúsculo” mergulhou de cabeça no cinema com “Nómada”, onde foi co-produtora. Numa entrevista a Reuters, ela relatou que não era lá muito bem vista no set de filmagens nos tempos do “Crepúsculo” – simplesmente porque não é muito comum (ou desejável) um escritor circular por lá. Mas, com o sucesso dos filmes, seu poderio aumentou e, com seu novo estatuto, pôde estar muito mais presente na adaptação do seu livro mais recente. Neste sentido, “Nómada” foi um passo muito além: desde o início a escritora trabalhou com o produtor Nick Weschler e no set discutiu ideias de igual para igual com o realizador Andrew Niccol e com os atores. 

Os fracos poderes de bilheteira (e crítica…)

Apesar de um custo de apenas U$ 40 milhões, o primeiro final de semana do filme nos Estados Unidos, um mercado decisivo para obras deste género, não foi nada auspicioso. Os U$ 11 milhões que arrecadou parecem indicar que a obra dificilmente vai atingir o seu custo – mesmo levando-se em conta que irá estrear ainda em muitos países. Tendo já Saorsie Ronan se comprometido para as sequelas, parece pouco provável que algo se seguirá a este filme. Já dos críticos não se esperava mesmo muito – mas possivelmente exageraram no massacre. 

Um Caso Real: pobres aristocratas entediados

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"O homem nasce livre, e em toda parte é posto a ferros. Quem se julga senhor dos outros não deixa de ser tão escravo quanto eles." Quando elaborou um dos mais famosos trechos do seu “Contrato Social” é muito pouco provável que Rousseau tivesse em mente aristocratas entediados e “aprisionados” pelos seus próprios compromissos (leia-se, casamentos impostos) – mas é precisamente no meio destes que suas ideias caíram como uma bomba. Até porque aqueles que deviam ser os maiores interessados nelas nem sequer sabiam ler… 

Na Dinamarca a aventura iluminista teve o seu primeiro round na particular aventura de um médico de província alemã, Johan Struensee (Mads Mikkelsen) que inadvertidamente foi parar à corte escandinava – quando cai imediatamente nas graças do seu mentalmente instável do rei Christian VII (Mikkel Følsgaard). O médico era um homem esclarecido e, quando acaba por assumir definitivamente o poder sob o escudo protetor e desinteressado do soberano, vai propor uma séria de medidas radicalíssimas para a época – que deixaria a aristocracia dominante de cabelos, ou melhor, de perucas, em pé. Para atear fogo ao paiol, só faltava mesmo um desejo fulminante (e correspondido) pela triste rainha Carolina Matilda (Alicia Vikander).  

Paixões avassaladoras

Esse coquetel de paixões avassaladoras (à moda germânica, diga-se de passagem – ou seja, com cenas de sexo tão quentes quanto o Mar do Norte) com ideias revolucionárias teve sempre um apelo romântico irresistível e esse filme de Nicolaj Arcel é o mais novo membro do clube a colher os louros – que vão desde o sucesso de bilheteira no seu país (a sétima maior arrecadação de 2012) a nomeação ao Oscar de Melhor Filme em Língua Estrangeira – para além de prémios no Festival de Berlim. 

Esta história é bastante conhecida dos dinamarqueses e faz parte dos seus manuais de história – para além de ser o tema de um famoso ballet. Como não é difícil de adivinhar, tem todos os elementos para se construir um grande enredo – conforme disse o próprio Nicolaj Arcel à Movievest – e muitos dos seus colegas tentaram adaptá-la. Ao falhanço até aqui o realizador atribui a falta de fundos mas, também, a maus argumentos. A acreditar no próprio, esse último problema foi resolvido quando ele mesmo decidiu tratar do assunto – num processo que, entre pesquisas e escrita, durou um ano. Muito mais complicado foi a parte das verbas – e aí foram quatro longos anos para conseguir levantar a quantia necessária.   

Os iluministas

O século XVIII foi terrível para os nobres de todos os quadrantes europeus muito antes de Robespierre rolar a sua primeira cabeça na fase sangrenta da Revolução Francesa. Já desde meados do século que pensadores cada vez menos religiosos e mais racionais minavam irremediavelmente toda a construção mental e social do Antigo Regime – baseada num amplo conjunto filosófico de fundo cristão que justificava a ordem vigente. Só faltava quem pegasse nas ideias e tratasse de as concretizar para a Europa se transformar para sempre... 

Atores premiados

Um grande ano para o ator dinamarquês Mads Mikkelsen, que há alguns anos acompanhou a ascensão do seu conterrâneo Nicolas Winding Refn (participou em três filmes dele) e entrou em alguns blockbusters, como “Casino Royale” e “Duelo de Titãs”. Para além do grande sucesso de bilheteira alcançado no seu país com seus dois filmes (além de “Um Caso Real”, “A Caça”, também em cartaz em Portugal, é um dos filmes mais vistos de 2013), o ator ganhou um dos mais prestigiados prémios do mundo – o de Melhor Ator no Festival de Cannes por “A Caça”. 

Mas nem só de Mikkelsen vive “Um Caso Real”. O seu conterrâneo Mikkel Følsgaard teve uma estreia verdadeiramente de luxo no cinema, vencendo o prémio de Melhor Ator no Festival de Berlim do ano passado.  

Ainda sem prémios, Alicia Vikander, uma atriz sueca ligada a produções musicais, antes de protagonizar a obra de Arcel teve o papel de “Kitty” na versão de Joe Wright para “Anna Karenina”.

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