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Quem poderia derrotar Donald Trump? Tom Hanks, segundo Michael Moore

O documentarista Michael Moore pediu duas vezes a Tom Hanks que se candidatasse a presidente dos Estados Unidos.

A revelação foi feita no programa Good Morning Britain, quando foi questionado sobre quem poderia derrotar Donald Trump nas próximas eleições. Moore, que previu a vitória de Trump em 2016, afirmou que os americanos estão à procura de alguém que "amem":  "Durante anos disse que a Oprah deveria concorrer (...) E pedi ao Tom Hanks duas vezes (...) Tom Hanks venceria."

Moore promove atualmente o seu novo documentário, Fahrenheit 11/9. Depois de ter lançado em 2004 Fahrenheit 9/11, que explorava os motivos que o governo do então presidente americano George W. Bush teve para lançar o país numa guerra contra o Iraque e o Afeganistão, o cineasta Michael Moore tem no título da sua nova obra uma referência direta a 9 de novembro de 2016, conhecido como o dia em que Donald Trump foi declarado como presidente dos EUA.

“First Reformed” e "The Favorite" lideram nomeações aos prémios Gotham

O pontapé de saída para as diversas premiações que homenageiam o que melhor se fez no último ano foi dado, como de costume, pelas nomeações aos Gotham Independent Film Awards. Os nomeados para os Gotham Awards de 2018 foram selecionados por críticos de cinema, jornalistas, programadores de festivais e curadores de filmes.

“First Reformed” (No Coração da Escuridão) e The Favorite são os filmes mais indicados, com 3 nomeações. Recorde-se que no ano passado, Call Me By Your Name (Chama-me pelo teu nome) conquistou o prémio de melhor filme, sucedendo a Moonlight.

A cerimónia de entrega dos prémios desta 28ª edição dos Gotham Independent Film Awards decorrerá no próximo dia 26 de novembro.

Eis a lista completa de nomeados: 

Melhor Filme

“First Reformed”
“The Favorite”
“Madeline’s Madeline”
“If Beale Street Could Talk”
“The Rider”


Melhor Documentário

“Bisbee ‘17”
“Hale County This Morning, This Evening”
“Minding the Gap”
“Shirkers”
“Won’t You Be My Neighbor?”


Melhor Realização em Estreia

Bo Burnham, “Eighth Grade”
Ari Aster, “Hereditary”
Boots Riley, “Sorry to Bother You”
Crystal Moselle, “Skate Kitchen”
Jennifer Fox, “The Tale”


Melhor Argumento

Deborah Davis and Tony McNamara, “The Favorite”
Cory Finley, “Thoroughbreds”
Paul Schrader, “First Reformed”
Tamara Jenkins, “Private Life”
Andrew Bujalski, “Support the Girls”


Melhor Ator

Adam Driver, “BlacKkKlansman”
Ben Foster, “Leave No Trace”
Richard E. Grant, “Can You Ever Forgive Me?”
Ethan Hawke, “First Reformed”
Lakeith Stanfield, “Sorry to Bother You”


Melhor Atriz

Glenn Close, “The Wife”
Toni Collette, “Hereditary”
Kathryn Hahn, “Private Life”
Regina Hall, “Support the Girls”
Michelle Pfeiffer, “Where is Kyra?”


Ator / Atriz Revelação

Thomasin Harcourt, “Leave No Trace”
Helena Howard, “Madeline’s Madeline”
Kiki Layne, “If Beale Street Could Talk”
Elsie Fisher, “Eighth Grade”
Yalitza Aparicio, “Roma”

 

Prémio Especial do Júri (Elenco)

“The Favourite”: Olivia Colman, Emma Stone, and Rachel Weisz


Série Revelação

“Alias Grace”
“Big Mouth”
“The End of the F***ing World”
“Killing Eve”
“Pose”
“Sharp Objects


Série Revelação (Curta)

“195 Lewis”
“Cleaner Daze”
“Distance”
“The F Word”
“She’s the Ticket”

Alfonso Cuarón: "A armadilha para os cineastas é ver Hollywood como uma espécie de Santo Graal"

Depois de ter falhado o Festival de Cannes, certame em "guerra" com a Netflix, o novo filme de Alfonso Cuarón (Gravidade), Roma, surgiu e triunfou em Veneza, sendo agora apresentado e destacado no Festival Lumière de Lyon, que curiosamente tem também o dedo de Thierry Frémaux, o diretor geral do festival mais famoso do mundo.

A apresentação do filme, marcadamente autobiográfico e inspirado na ama indígena e pobre que acompanhou Cuáron na infância, foi feita com pompa e circunstância, com o realizador a dar uma masterclass no evento, explicando ao público a produção.

Antes de embarcar em Roma, Cuarón confessou estar a preparar um projeto de filme em torno de "uma tragédia familiar há 50 mil anos, uma espécie de Adão e Eva Darwinista": "Contei isso ao Thierry durante uma conversa bem regada, mas isso não o impressionou e, nos vapores do Mescal, disse: 'Porque não volta para o México? Tens de voltar a filmar no México, esta é a altura certa.'"

Roma nasceu, cresceu e ganhou vida - que pode ter como um dos pontos mais altos a chegada aos Oscars. "É um filme sobre a memória, sobre o passado visto do presente.  (...) Ao fazer o filme, fiquei triste ao ver que os temas levantados, como o racismo e a miséria pioraram, não apenas no México, mas em todo o mundo. A contrapartida dessa violência social, quando comparada à minha geração que não ousou em denunciar a situação, é uma vitalidade sem precedentes da juventude. Essa exuberância faz-me manter a esperança nas novas gerações."

Sobre a escolha da Netflix, Cuáron esclareceu: "Roma é produzida pela minha empresa, não pela Netflix . E quando veio a encontrar um distribuidor, a Netflix mostrou agressivamente como era a única capaz de exibir o filme em todo o mundo. De facto, uma ambição global para um filme a preto e branco". Porém, as ambições de Cuarón passaram sempre por filmar a obra para ser vista no cinema: "As filmagens em 60mm, apelam ao grande ecrã".

Já sobre Hollywood, o cineasta fala em indústria e aponta o maior erro dos realizadores em geral."Tenho a tendência em ver Hollywood como uma indústria e apenas uma indústria. A armadilha para os cineastas em todos os países é ver Hollywood como uma espécie de Santo Graal, e pensarem que, para alcançá-lo, é preciso homogeneizar a própria linguagem. (..) Há outro aspecto de Hollywood que me interessa muito mais: é uma indústria de emigrantes. Emigrantes europeus trouxeram a sua própria bagagem e conhecimentos, os alemães fugiram do nazismo. Fritz Lang moldou o filme noir, Lubitsch trouxe o legado da comédia vienense.", concluiu.

Roma chega a alguns cinemas e à Netflix em dezembro.

«Pedro e Inês» por Jorge Pereira

  • Publicado em Critica

A história de Pedro e Inês inspirou Rosa Lobato Faria a escrever A Trança de Inês, livro que agora o cineasta António Ferreira (Embargo) adapta com alguma eficácia, mas que frequentemente cai na redundância, no depositar apenas na caracterização, guarda-roupa e décors a esperança de representar as diferentes épocas, e que sofre do drama de misturar cinema com elementos novelescos, com particular destaque no trabalho dos atores, que muitas vezes dizem que se amam mas não nos convencem inteiramente de tal pela falta de intensidade, quer dos diálogos, quer das suas perfomances.

Aqui somos conduzidos a vários tempos distintos do amor trágico e impossível de Pedro e Inês: na época medieval, na atualidade e num suposto futuro distópico. O ponto comum em todas as histórias é o amor malfadado e adúltero de Pedro e Inês, enfrentando o duo dilemas próprios de cada época, de uma sociedade que repete as mesmas atitudes castradoras e os julgamentos sumários e morais. A voz-off, que procura constantemente nos situar de forma poética com discursos sobre o amor e desamor, falha por diversas vezes o seu objetivo, representando antes um fardo, um peso ema histórias que poderiam ser mais cinemáticas e menos carregadas neste discurso que de certa maneira as "legenda".

Por outro lado, se a organização e o fio narrativo mostram capacidade de apresentar com genica a ideia que a história repete-se e não há nada que evite este destino trágico, é também verdade que o espectador prevê de antemão tudo o que vai ver, ficando agarrado a uma previsibilidade que também contribui para retirar força a todo o conceito. Nisto acaba por ser o segmento medieval o mais conseguido, com os últimos momentos a trazerem um verdadeiro golpe dramático e neurótico a personagens fustigadas pela injustiça dos seus tempos. Quando chegamos à atualidade, sente-se algum cansaço e superficialidade telenovelesca dos artifícios e do dispositivo de interpretação. Na distopia, a descrença é maior por arrasto e pelas limitações da produção.

Diogo Amaral, Joana de Verona e Vera Kolodzig entrelaçam-se nestas estórias com a mesma capacidade e intensidade que o texto e a realização lhes oferece, não sendo agentes capazes de avançar com as suas personagens para além daquilo que lhes é oferecido pelo texto.

Assim, é pena que Pedro e Inês fique aquém do esperado, pois em termos da gímnica narrativa é bem mais audaciosa e arrojada que o cinema nacional costuma ser..


Jorge Pereira

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