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Retrospetiva Abel Ferrara: o assassino do berbequim («The Driller Killer», 1979)

Punks e berbequins encontram-se numa Nova Iorque frenética para uma estreia visceral. No dealbar dos anos 80 as ruas eram sujas, o cinema exploitation ainda estava no respirador e as guitarras inspiradas nos New York Dolls estilhaçavam seus riffs “emprestados” a “Peter Gunn” na cara da ordem estabelecida. Atirar um artista em enlouquecimento para dentro deste caldeirão efervescente é o pontapé de saída para um filme à beira de um ataque de nervos

Abel Ferrara só tinha um filme porno no currículo até esta estreia “oficial”. O que até não destoa – dado a “qualidade” de alguns actings. Não importa.

O filme começa numa igreja, onde se lê: “há sempre um motivo para orar”. Lá está o protagonista Reno (o próprio Ferrara…) “expelido” abruptamente para a selva urbana: está estabelecida desde o primeiro instante a relação convulsa entre a busca pela transcendência religiosa e a imundície muito mundana que vai marcar toda a cinematografia do realizador. Jogado no mundo ele pede ao “táxi driver” para “fincar o pé” rumo a Dowtown - e daí para o retrato de família da Nova Iorque infestada de sem-abrigos, mendigos, alcoólicos, dealers, prostitutas, loucos, ladrões. Parece o fim do mundo.

Reno tenta encontrar um nexo para sua vida na arte. Ele é um artista plástico; elabora dias a fio, quase a morrer à fome com uma namorada insatisfeita (Carolyn Marz), em torno de um quadro gigante com um búfalo ao centro. Até que Ferrara (já com argumento de Nicholas St. John) começa a balançar os alicerces da sua perceção do mundo real. Só falta um anúncio televisivo para inspirar um novo homem.

O som tem um papel essencial, não estivesse assinalado na sua epígrafe: “Para assistir com o volume no máximo”. Longos momentos para a banda que ensaia e enlouquece Reno são intercalados com um uso de efeitos sonoros diversos, muito devedor a “Repulsion” (Roman Polanski), para enfatizar o processo de enlouquecimento do protagonista.

O uso do “gore” e do berbequim tem uma finalidade muito prosaica, segundo disse o próprio numa entrevista: “queríamos meter o filme em sala”. Tradução: era mais fácil achar recetividade junto aos exibidores para um violento filme de “terror” lançado entre os espasmos finais da exploitation setentista e a ascensão das lâminas slashers.

Termina com os dizeres: “Para o povo de Nova Iorque, Cidade da Esperança”.



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