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Terrores Tropicais - Parte 1: O Vampiro Que Mostrava os Dentes

O festival de cinema Motelx e a Cinemateca Portuguesa recuperam dois clássicos absolutos do terror latino-americano – ambos a serem exibidos no dia 1 de setembro. Um deles é o mexicano “El Vampiro” (1957), realizado por Fernando Méndez, o outro traz o satânico Zé do Caixão no primeiro filme com o ícone criado por José Mojica Marins, “À Meia-Noite Levarei sua Alma”.

“El Vampiro”: na névoa gótica, um vampiro mostra os dentes…

Os personagens de “El Vampiro” circulam junto de uma casa senhorial do interior do México; o mais longínquo que vão dali é até a estação dos comboios. É onde o filme começa, com a chegada da jovem Marta (Ariadna Welter). Quando fica sem transportes, ela é ajudada por um estranho (Abel Salazar, também produtor do filme) e vão ambos dar na citada propriedade. Uma das tias (Alicia Montoya) acaba de ser enterrada; a outra (Carmen Montejo) aparece do nada, através do velho artifício da trucagem, imaculadamente de negro; mais tarde se verificará que a sua imagem não se reflete no espelho… O nobre Vidal (German Robles), por seu lado, dorme secretamente dentro de um caixão e tem a predileção de atacar humanos em busca de sangue.

Bela Lugosi iria gostar de ter feito “El Vampiro”. A produção mexicana de 1957 foi lançada um ano depois da morte do ator que interpretou o Drácula de “black-tie” em 1931. A aparência sedutora dada pelo cinema nenhuma relação tinha com a criatura repelente inventada por Bram Stoker. A par disto, a produção de Abel Salazar tinha tudo aquilo que um verdadeiro clássico gótico nos velhos moldes devia ter: atmosferas sinistras, um cuidado da direção de arte em preencher o espaço com muito nevoeiro, algumas donzelas em apuros, um substrato erótico e, obviamente, um sedutor sanguessuga.

Há belos momentos, como a longa e silenciosa sequência do enterro ou a aparição fantasmagórica e terrífica experienciada pela protagonista já perto do fim; apenas o final é um bocado tosco e exige alguma condescendência.

Tempestades no horizonte

Mas “El Vampiro” não se fica pela retomada eficiente das convenções e paradigmas dos anos 30. A exemplo do limbo onde vive o seu vilão, o filme de Méndez fica no meio do caminho entre o antigo e o novo que se avizinhava. O filme é lançado no mesmo ano que “The Curse of Frankenstein”, onde a tempestade splatter da Hammer varria as bilheteiras e mudava a face do terror para sempre. No ano seguinte, em "Drácula", o sangue muito vermelho escorreria pelo queixo de Christopher Lee, um pérfido conde num filme onde os subterfúgios eróticos deixariam de ser uma sugestão para transformarem-se num requisito.

Mas se com a Hammer Lee torna-se um vampiro sangrento e predador enquanto o de Lugosi quase pedia licença para morder pescoços fora de campo, o de Robles mostra os dentes e faz ataques selvagens – como a de uma criança (!) em fuga numa cena a meio do filme.

No panorama mexicano o filme teve ainda o mérito de abrir novas perspetivas ao cinema de terror do país – o único, além da Inglaterra, a investir no género nos anos 30 e 40. Para se viabilizar nas bilheteiras, as histórias terroríficas apareciam associadas… ao wrestling!

A partir de “El Vampiro”, que também teve carreira internacional, Méndez não voltou à “luta libre”: no ano a seguir contou outra história de vampiros (“El Ataúd del Vampiro”) e fez o igualmente clássico “Misterios de Ultratumba” (“The Black Pit of Dr. M”) – onde investia à sua própria maneira e com igual qualidade em outra vertente vinda dos anos 30 – a dos cientistas loucos que ousavam “mexer onde não deviam”.

Quanto a Salazar, coproduziu oito filme de terror entre 1957 e 1963.



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