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«Bølgen - Alerta Tsunami»: um filme-catástrofe à norueguesa

Uma vez por outra um produto norueguês prega uma partida à concorrência yankee nas bilheteiras do seu país e este Bolgen – Alerta Tsnumai foi o autor da façanha em 2015. Mais curiosamente, o tiro no alvo veio no cinema de género – especialidade hollywoodiana que já mais do que gastou as fórmulas do “filme-catástrofe”. Dada à barafunda de efeitos visuais e personagens de cartão no qual o cinema norte-americano meteu-se e do qual não parece conseguir sair, Bolgen pareceu refrescante até para a crítica da terra do tio Sam.

Estreado no Festival de Toronto do ano passado, o filme passa-se em Geiranger e conta a história de um geólogo, Kristian Eikfjord (Kristoffer Joner) que, às vésperas de mudar-se com a mulher Lund (Ane Dahl Torp) e os dois filhos para uma cidade maior, começa a intuir que algo não vai bem nas profundezas das montanhas nórdicas. Uma vez despertado o “alerta”, ele foge com a filha pequena para o alto, enquanto a mulher tenta a própria sorte pelos corredores do hotel onde trabalha.

Por trás do projeto está o realizador Roar Uthaug, que inspirou-se numa situação real para inventar a sua história. “Na Noruega estão registadas mais de 300 montanhas geologicamente instáveis”, diz ele. “Uma das maiores é “Åkerneset”, um sistema de falhas geológicas com 800 km de comprimentos que continua a alargar numa média de 15 cm por ano. Se acontecer de 7 milhões de metros cúbicos de rocha cair no fiorde, isto vai gerar um tsunami cuja onda poder aos 80 metros. Esta chegaria à comunidade de Geiranger em 10 minutos. Infelizmente, não é uma hipótese remota, sendo uma certeza de que, mais cedo ou mais tarde, acontecerá de novo”.

Belezas nórdicas e histórias humanas

Enquanto ao longo do filme repassam à mente do espectador evocações de catástrofes cinematográficas longínquas (Aeroporto 1975, A Aventura do Poseidon, Tubarão) e que o encaminham para um final previsível e pouco credível, o interior da Noruega surge estonteante e pronto para receber um impressionante manifesto da natureza – num filme cujos efeitos visuais, de resto, também têm agradado.

Mas não é deles que vive o filme e das reações da crítica americana, normalmente a fazer na mesma medida de bola de cristal para aquilo que o público “vai” gostar e vistas grossas para os clichés, a da Collider é particularmente reveladora – descrevendo um filme com “… aquisições técnicas que deveriam fazer Hollywood reconsiderar a sua tendência de ficar cada vez maior ao ponto do excesso”.

E o que Uthaug quis foi isso mesmo. “Procuro mostrar a destruição numa pequena comunidade, e segundo o olhar de uma família comum. Trabalhar sempre com o pensamento que quanto mais perto dos personagens, maior o impacto que o filme pode ter”, sublinha.

O estilo documental e câmara no ombro ajudam: “Apesar de querermos criar um espetáculo visual com sequências de ação intensas através dos efeitos especiais, temos consciência que o verdadeiro impacto no público é sempre através das emoções e do drama humano que se apresenta”, conclui.



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