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«Dheepan», a improvável Palma de Ouro

Como já vem sendo hábito, o júri internacional baralhou-nos as contas para manter a dignidade da decisão. E não coincide com as preferências da crítica que excluía essa possibilidade. Só assim se pode compreender que os manos Coen tenham concluído distinguir Dheepan, o mais recente filme de Jacques Audiard, realizador de Ferrugem e Osso e Um Profeta, que veio em 2009 a perder a Palma para O Lenço Branco de Haneke. Nesse ano até com mais razões para ganhar.

Percebe-se até que em Dheepan existe algo do realizador de Um Profeta, já que a evolução de Jesuthasan Antonythasan, o tal ex-guerrilheiro convertido em emigrante ilegal, vive paredes meias a personagem de Tahar Rahim, que se transforma num kingpin na prisão, ou até mesmo como os contornos violentos de Matthias Schonaerts, também ele dividido e afetado por uma espiral nefasta. O problema parece estar num guião que não lhes dá espessura e não nos lança uma boia para que queiramos seguir com interesse o seu destino. E há ainda um final muito discutível que lançou diversas discussões especulativas.

O filme até arranca bem no início. Seguimos o destino de um ex-guerrilheiro embarcado, com papéis falsos e uma família emprestada que procura um projeto de vida em Paris. A singeleza do tema, o facto de filmar com atores estreantes do Sri Lanka, dava-lhe o espaço para recriar alvo novo. No entanto, não é isso que vemos.

Bem vistas as coisas, para premiar um filme realista, tínhamos muito melhor em no socialmente engajado La Loi du Marché (A Lei do Mercado), de Stéphane Brizé, com a mensagem poderosa do drama de um homem de meia idade a tentar encontrar trabalho, num registo sereno de angústia serena de Vincent Lindon, que viria a ganhar a melhor interpretação masculina

Enfim, é celebração do cinema francês, com três dos cinco filmes premiados. Recorde-se que Emmanuelle Bercot ganhou a melhor interpretação feminina, afinal de contas o único lado relevante do massacrado Mon Roi, de Maiwenn. Bercot que abrira o festival com o seu La Tête Haute.

O resto já se sabe. Justiça para Son of Saul, no nosso entender, o melhor filme do concurso, com o Grande Prémio, sobre o papel de um Sonderkommando, os tarefeiros na lida de Auschwitz; e ainda o prémio de realização para Lanthimos, por The Lobster, embora o seu talento esteja mais no guião. Ele que já ganhara o prémio Un Certain Regard, em 2009, por Canino. Já passa, portanto, a figurar na calha para uma eventual Palma de Ouro. O mesmo se diga de László Nemes.

Uma palavra ainda para a total ignorância do admirável filme de Jia Zhangke, Mountains May Depart, a percorrer uma introspeção da grande China pela vida de uma mulher (Zhao Tao), desde 1999, passado pela atualidade, em 2014, e viajando ainda até 2025, para um futuro próximo credível. Um filme que encerra várias leituras e que fica como um dos grandes de Cannes deste ano.



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