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«Darkest Hour» (A Hora Mais Negra) por Hugo Gomes

  • Publicado em Critica

A esta altura do campeonato torna-se difícil separar Darkest Hour de um outro olhar sobre a crise de Dunquerque. Sim, refiro ao homónimo filme de Christopher Nolan, o qual tantas maravilhas foram dirigidas por esse Mundo fora. E nesse “concurso opinativo”, o mais recente filme de Joe Wright sai a perder no senso comum por simplesmente emanar a dita biografia classicista, erguido, como é o costume, pela omnipresença do seu ator principal.

O conflito bélico em si, encontra-se visualmente ausente, mas verbalmente presente nos discursos dos seus lideres, um campo de batalha torna-se terreno politico que se vislumbra em “horas mais negras”. A assombração da guerra e um homem, o belicista primeiro-ministro Winston Churchill, que se torna na figura-chave de uma nação a passos largos a essa mesma “escuridão”, parecem não ser par para o explicito pomposo de Nolan. Porém, é aí que se enganam.

Darkest Hour é em toda a sua condução (e perdoam-se as aventuras no cinema mais clássico a puxar pela Hollywood “banhada” pelos seus ídolos de ocasião), um filme pacifico com a nossa imaginação. Um retrato de um Reino Unido como uma ilha em pés de guerra, onde as verdadeiras “trincheiras” residem a milhas de distancia, mas é com as suas invocações verbais que o espectador é engolido por esse cenário sugestivo (apenas relembrado por pequenos detalhes sem a afiambrada explicitude).

Enquanto isso, Wright deixa-nos antever um aprumo técnico, a começar pela primeira sequência onde um picado navega por entre o parlamento inglês, causando uma extensão à sensação de conflito interno, o plano geralizado que dá lugar a um dinâmico conjunto a servir de preparativos para a enésima esquematização biográfica (recordamos a natureza teatral injetada num outro parlamento em Lincoln, de Spielberg). A luz, as sombras, tudo incluindo na fotografia de Bruno Delbonnel jogam a favor da avizinhada ansiedade e, em conformidade, a banda sonora rompante de Dario Marianelli assume o inicio de batalha como um rufar dos tambores (o tão profético confronto encontra-se ao virar da esquina).

Obviamente, que Darkest Hour funciona como um objeto de requinte e de alguma classe no seu vigor vintage, e Gary Oldman é par para esse desafio, não fosse o facto da obra o apropriar como a sua força-motora. Apesar do “boneco imitador” que o ator contrai nesta sua composição (como os votantes e academistas tanto adoram premiar), é nessa coerência histórica indiciada na sua interpretação o qual Joe Wright trabalha como um vetor, o resto vem por acréscimo.

A certo ponto, sentimos esse classicismo a estorvar a seriedade do filme. Vejamos a sequência decorrida no metro, onde Churchill entra em contacto com os seus eleitores, acompanhado por um “belo” discurso de empório patriótico, e de inspirada manipulação para nos dar a ideia de que o “povo é quem mais ordena” naquele cenário sociopolítico. Enfim, rasteiras e mais rasteiras que não condenam de todo este Darkest Hour, mas o enfraquecem frente ao leque de biopics da award season.

Mas em relação ao outro Dunkirk, a dominância das palavras e o uso sugestivo do trabalho de Wright adquirem uma dimensão fulcral e menos jubiloso em relação a tão proclamada obra de Nolan. E, verdade seja dita, puxando para trás, em 2007, Joe Wright conseguiu em 5 minutos aquilo que o outro não conseguiu em hora e meia. Nem sempre a quantidade é sinonimo de qualidade.  


Hugo Gomes

«Justice League»: Fãs protestam à porta da Warner Bros por versão de Zack Snyder

É do conhecimento geral que Justice League (Liga da Justiça) desiludiu nas bilheteiras, não conseguindo conquistar 700 milhões de dólares globalmente. A decepção da mais forte aposta da Warner / DC levou a inúmeras restruturações e reagendamentos do departamento de produção.

É também do conhecimento que o filme foi abalroado pela imposição de diversas refilmagens, motivadas pela mudança de realizador, Zack Snyder. Na altura à frente do projeto, o cineasta teve que abandonar devido a uma tragédia familiar (o suicídio da sua filha). Para o seu lugar chegou Joss Whedon, que fora um dos braços direitos de Kevin Feige na Marvel Studios. A juntar a isso, houve uma quebra de privilégios para com o trabalho de Snyder (tendo em conta a má reacção da imprensa depois de Batman V Superman), sendo imposto um tom mais ligeiro e próximo das duas horas de duração.

Porém, alguns rumores apontam a existência de uma versão de Zack Snyder intacta. Pessoas próximas do projeto, falam que se tratava de um filme mais negro, que termina num cliffhanger e contava ainda com Darkseid, o grande vilão da DC Comics, que só fora mencionado num dialogo na versão de cinema.

Apesar de outras vozes referirem que essa dita versão não existe, mas sim um rascunho daquilo que se tornou no filme lançado nos cinemas, um grupo de fãs decidiu agir, criando uma petição que conseguiu até à data reunir 166 mil assinaturas. O objetivo? Fazer com que a Warner Bros lançe em Home Vídeo a tão badalada versão com a banda-sonora original de Junkie XL (compositor que sempre acompanhou a DCEU, exceto Justice League, sendo substituído por Danny Elfman por imposição de Joss Whedon).

Contudo, a história não acaba aqui. Justice League será lançado em Blu-Ray e em DVD em março, e nos planos encontra-se uma director’s cut. Porém, essa não será a versão de Snyder, mas sim a visão de Joss Whedon. Tal decisão levou os fãs a tomarem uma medida desesperada.

Segundo um evento no Facebook, encontra-se agendado um protesto à porta dos estúdios da Warner Bros. (Burbank, Califórnia) de forma a incentivá-los a lançar a visão de Snyder. O procedimento é simples, como se pode ler na descrição da página: preencher as redes sociais com as fotos dos protestantes com camisolas de apoio a Snyder e à respetiva versão ou cosplays das personagens de Justice League, sendo que nessas mesmas fotografias terá que estar visível o estúdio californiano. A mesma página adverte que não serão permitidos qualquer forma de insultos à empresa e às pessoas envolvidas.

Recordamos que o próximo filme da DC Comics será Aquaman, de James Wan, com estreia prevista para novembro. Escusado será dizer que o futuro do franchise estará neste momento nas mãos desse mesmo filme.  

Ciclo Luís Galvão Teles na RTP 2

O mês de janeiro será dedicado ao cineasta português Luís Galvão Teles, que contará com um ciclo na RTP 2.

Serão exibidos quatro filmes que espelham bem a sua longa e diversificada carreira, entre as quais a estreia em televisão aberta do seu primeiro filme, A Confederação, uma ficção cientifica que reimagina um país que após a Revolução dos Cravos é mergulhado numa Ditadura Militar. Recorrendo a imagens de arquivo em cumplicidade com a ficção, Galvão Teles cria uma das obras mais vincadas da chamada vaga do cinema militante português que abraçou a nossa cinematografia nos anos 70. A Confederação é atualmente visto como uma espécie de primo lusitano da literatura distópico-politica 1984 de Georges Orwell. O filme será transmitido no dia 6 de janeiro pelas 00h15.

Dia 13, pelas 23h15, é exibido A Vida é Bela.!?, uma comédia de forte componente politica, onde somos presenteados com a figura do Hipólito de Ó (Nicolau Breyner), um magnata “trafulha” que tenta sobreviver a um país marcado por diversas passagens do seu sistema político-social. Galvão Teles indicia um filme que satiriza para além das óbvias temáticas, a própria popularização do cinema, invocando o escapismo do “povo”, nomeadamente as Revistas de Teatro, como caricaturas ideológicas de uma politica instável. Foi um dos grandes sucessos de bilheteira do cinema português.

Elas

Já na sexta-feira seguinte (dia 20 pelas 23h45) surge-nos Elas, que conta com um casting internacional de luxo (Miou-Miou, Carmen Maura, Marthe Keller, Marisa Berenson, Guesch Patti e Joaquim de Almeida). Trata-se de uma comédia dramática sobre um grupo de mulheres na casa dos 40 que se encontram unidas por uma amizade inexplicável. Elas é hoje tido como um dos filmes portugueses com maior sucesso no estrangeiro.

Para terminar o ciclo, Dot.com, outra comédia que funcionou nas bilheteiras portuguesas. O choque tecnológico indiciado pela criação de um website na terra Águas Altas que cria tamanho alvoroço, a nível nacional, tudo porque uma multinacional sediada em Madrid quer reclamar o nome do site de forma a lançar uma água com o mesmo nome. Contando com argumento do seu filho, Gonçalo Galvão Teles, que viria a tornar-se desde então um habitual colaborador - quer na escrita como na realização-, Dot.com questiona a pacifismo de uma Península Ibérica que vivera em tempos uma “adormecida rivalidade”. Passa pelo canal no dia 27 de janeiro, pelas 23h45.

Warner Bros elege novo responsável pelos filmes da DC Comics

  • Publicado em Mercado

A Warner Bros anunciou Walter Hamada como novo diretor do departamento de produção dos filmes da DC Comics. Hamada encontrava-se envolvido na secção de terror do estúdio, o qual trabalhou diretamente com James Wan em The Conjuring e as respetivas sequelas e spin-offs. Desta forma, os anteriores responsáveis pela DC, Jon Berg e Geoff Johns, passarão para outros departamentos. Berg irá trabalhar na produção de Roy Lee (IT e os filmes LEGO), enquanto que Johns manterá na DC Comics, porém, como assessor de Hamada, que terá a tarefa de supervisionar os flimes de super-heróis.

Esta decisão diretorial tem sido encarado como uma das várias restruturações da Warner / DC, em consequências dos resultados dececionantes feitos pela Justice League (A Liga da Justiça), que não atingiu sequer o marco dos 700 milhões de dólares em todo o Mundo, tendo em conta o orçamento ultrapassou os 200 milhões devido sobretudo a reshoots e outras decisões produtivas de última hora. Apesar das mudanças, Diane Nelson continuará como chefe da DC Entertainment.

Com isto, a DC Comics manterá na corrida para a construção do seu Universo Partilhado, contando agora com Aquaman, dirigido por James Wan, como próximo título a estrear  (previsto para novembro deste ano). 

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