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«Lady Bird», «Get Out» e «Game of Thrones» destacados pelo Sindicato dos Realizadores Norte-Americanos

Foram divulgados os nomeados do DGA (Director’s Guild of America). Este ano, o Sindicato de Realizadores destacou Get Out, de Jordan Peele, que se encontra presente na categoria de Filme e de Primeira Longa-Metragem. Na concorrência, deparamos com Greta Gerwig com Lady Bird (uma indicação de que poderemos contar com a sua presença nos Oscars), Christopher Nolan (Dunkirk) e os galardoados na última cerimónia dos Golden Globes, Guillermo Del Toro (Shape of the Water) e Martin McDonagh (Three Billboards Outside Ebbing, Missouri).

Quanto à televisão, Guerra dos Tronos destaca-se com três episódios nomeados na categoria de Série Dramática, já na da Comédia, Master of None presencia com dois episódios. The Handmaid’s Tale e Big Little Lies são outros destacados na secção televisiva.

 

Filme

Guillermo Del Toro – “Shape of the Water”

Greta Gerwig – “Lady Bird”

Martin McDonagh - “Three Billboards Outside Ebbing, Missouri”

Christopher Nolan – “Dunkirk”

Jordan Peele – “Get Out”

Filme (Primeira Longa-Metragem)

William Oldroyd - “Lady Macbeth”

Jordan Peele – “Get Out”

Geremy Jasper - “Patti Cake$”

Aaron Sorkin - “Molly’s Game”

Taylor Sheridan – “Wind River”

 

Séries de Drama

Matt e Ross Duffer - "Chapter Nine: The Gate", de Stranger Things (Netflix)

Reed Morano - "Offred", de The Handmaid's Tale (Hulu)

Jeremy Podeswa - "The Dragon and the Wolf", de Game of Thrones (HBO)

Matt Shakman - "The Spoils of War", de Game of Thrones (HBO)

Alan Taylor - "Beyond the Wall", de Game of Thrones (HBO)

 

Séries de Comédia

Aziz Ansari - "The Thief", de Master of None (Netflix)

Melina Matsoukas - "Thanksgiving", de Master of None (Netflix)

Mike Judge - "Server Error", de Silicon Valley  (HBO)

Beth McCarthymiller - "Chicklet", de Veep (HBO)

Amy Sherman-Palladino - "The Marvelous Mrs. Maisel", de The Marvelous Mrs. Maisel (Amazon)

 

Telefilmes e Minisséries

Scott Frank - Godless (Netflix)

Barry Levinson - The Wizard of Lies (HBO)

Kyra Sedgwick - Story of a Girl (Lifetime)

Jean-Marc Vallée - Big Little Lies (HBO)

George C. Wolfe - The Immortal Life of Henrietta Lacks (HBO)

 

«Hellraiser»: o Inferno "encaixotado" de Clive Barker

  • Publicado em Artigos

"Will tear your soul apart"

Quando o género do terror seguia numa rota de repetição, como o frenesim das sequelas de êxitos (Halloween, Friday 13th, A Nightmare on Elm Street) que invadiam as nossas salas, um autor genuinamente ligado a esse “mundo” tão rentável decide invocar os mais mórbidos dos pesadelos “sadomasoquistas”, isto naquele que poderá ser um dos mais originais enredos do terror nos finais da década de ’80.

Foi exatamente em 1987 que chegaria às salas de cinema de todo o Mundo, Hellraiser, um cruzar de mitos faustianos com a referência da caixa Pandora, um portal que abre dois reinos incoexistentes, ao contrário do que acontece nos dois estilos fundados em prol deste “fogo maldito” – o slasher e o splatter.

O macguffin de Hellraiser é uma caixa de puzzle chinesa, no qual reza a lenda que quem a decifrar poderá aceder a desejáveis dimensões. Um homem, Frank Cotton (Sean Chapman), conseguiu tal proeza, mas o preço a pagar foi demasiado alto. Contudo, de certa maneira, consegue escapar aos “anjos da perdição”, os Cenobitas, que o aprisionavam num eterno vórtice de dor. Mas o seu regresso ao mundo dos mortais é tudo menos risonho, desfeito e incompleto, Frank terá que pedir auxilio a uma das suas amantes para o reconstruir. Entretanto, os tais Cenobitas, liderados por o somente conhecido por Pinhead (o muito subestimado Doug Bradley), procuram a sua alma nos recantos mais obscuros do Inferno.


Convertido atualmente num filme de culto, Hellraiser sempre fora considerada uma obra adjetivada de “painfull” (dolorosa de ver). E não podiam estar mais certos disso. A obra-mestre de Clive Barker - autor de inúmeros contos envolvidos neste universo, provavelmente seguindo o conceito de “world building” levado à prática por outro autor do género, H.P. Lovecraft - revela-se numa incursão torturada ao sadismo como busca de um prazer inerente. O sadomasoquismo exposto e sugestivo, o signo destes demónios bastardos, é o elo que une esta fantasia com o nosso mundo atual. Mundo, esse, cujas essas formas prazenteiras são renegadas e repudiadas perante os conformes estabelecidos da sociedade. Porém, quem ainda rege a esses métodos, encontra refúgio na marginalização. E assim, restringem-se a nichos quase “subterrâneos”. Os nichos são representativos a essas “caixas” de difícil acesso, voluntariamente. 

Barker é um homem erguido nesse mundo visceral. Em jeito de convite ao nosso espectador, paraboliza-o com cenas “gore”, trazendo até ao seu legado clichés que ainda hoje perduram. Se o argumento pesa como um impasse para as vontades meta-fílmicas e perversamente sexualizadas, a verdade é que o enredo funciona, de certa forma, como uma máscara de outras perversões. Entre as quais, o prazer gráfico muitas vezes alicerçado à paixão do cinema de terror. Para além disso, há que realçar Hellraiser pelos seus valores técnicos, que auxiliam em prol desse engodo. A fotografia de Robin Vidgeon, por exemplo, é um fator a ter em conta, envolvida numa beldade gótica e pessimista, em conformidade com a composição musical de Christopher Young (a prevalecer esse tom gótico em constante eco).

O problema geral de Hellraiser reside principalmente no elenco. Nenhuma das interpretações tem a capacidade de sair da mediania, assim como as personagens não sobressaem dos seus propósitos figurativos, e Andrew Robinson não é meramente um exemplo de representação glamorosa. Adaptado de uma novela escrita pelo próprio realizador e argumentista, Hellraiser pode nos dias de hoje ser um filme ultrapassado em termos de efeitos especiais, mas só a sua caracterização, maquilhagem e efeitos práticos valem por isso. Brinda-nos com um enredo acima da “perseguição e facada” e é responsável pela introdução de muitos dos mais profundos pesadelos humanos.

Nos dias de hoje, possui mais de 9 sequelas de baixo-orçamento e um remake em pré-produção, mas o original é sempre mantido como uma porta aberta ao terror mais fetichista e não tão fantasioso como se julga.

O regresso de Pinhead no trailer de «Hellraiser: Judgment»

Uma das sagas de terrores mais duradoras prepara-se para estrear o seu décimo capítulo. Trata-se de Hellraiser, que por cá obteve o título de Fogo Maldito, uma alegoria sadomasoquista inspirada nos contos de Clive Barker que estreou pela primeira vez no cinema em 1987 (com o dito escritor a assumir o cargo de realizador).

O filme rapidamente ascendeu ao estatuto de culto e o seu “monstro-estrela”, Pinhead, converteu-se numa das mais populares figuras do género. A sequela direta, que estreou em 1988, prolongou esse mesmo sucesso. Porém, depois do quarto filme, que foi um fiasco, o franchise ficou retido no circuito de Home Video, onde continuou de forma presencial. À chegada deste décimo capitulo, Doug Bradley, que sempre vestiu a pele desse demónio, saiu do projeto. No seu lugar temos Paul T. Taylor (Super).

Escrito e dirigido por Gary J. Tunnicliffe, responsável pelos departamentos de caracterização de X-Men Origens: Wolverine e Pulse, o intitulado Hellraiser: Judgment seguirá diretamente para o circuito de Home Video, Video-on-demand e streaming.

Como curiosidade, a atriz Heather Langenkamp encontra-se no elenco. Para quem desconhece, ela foi Nancy Thompson, a grande protagonista de Pesadelo em Elm Street, de Wes Craven. 

«The Commuter» (O Passageiro) por Hugo Gomes

  • Publicado em Critica

É o efeito estafeta. Jaume Collet-Serra recebe os planos gerados por Luc Besson e Pierre Morel que consiste em transformar Liam Neeson num action man cinquentão, e põe em prática tal projeção, posicionando-o como um arquétipo de John McClane. É bem verdade que nesta cumplicidade, produções como Unknown e Run All Night funcionaram de forma moderada.

Todavia, existem “coisas” que perpetuam vícios nefastos, entre eles a maligna avença de Neeson com transportes públicos. Aqui o avião de Non-Stop dá lugar a um comboio numa linha subjacente de Nova Iorque e, em modo teste, o ator, agora tornado em sexagenário (ele faz questão de relembrar isso inúmeras vezes), vê-se enredado num jogo mortal, tendo como objetivo o encontrar um misterioso sujeito. Prazo: até ao fim da linha. Prémio: quantias monetárias que rapidamente passam para a segurança da sua família.

Assim sendo, a personagem de Neeson terá que usar o seu intelecto e o leque de “especialidades adquiridas por um longa carreira” (velha cantiga) para conseguir decifrar o “enigma”. Uns pozinhos de thriller hitchcockiano o qual Collet-Serra sempre esmiuçara e uma tendência whoddunit digna de uma Agatha Christie de segunda. Pois, não vale a pena suspirar por isto, porque de inteligência este The Commuter nada tem. Aliás, é apresentado “cartão amarelo” para Hollywood.

Existe um problema (um!), uma grave anomalia na condução dos diálogos, ou melhor, na construção destes. Aqui somos confrontados com falas mais explicitas do que as imagens que se inserem, ou a informação despejada desalmadamente que apresenta um artificio irrealista ds mesmo. Talvez seja de forma a não levar o espectador em erro, ou (pior dos cenários) lançar uma indireta à inteligência do seu público-alvo. Preferimos pensar que é só um agravado desleixo. Porém, o mal desta enésima correria de Liam Neeson é a epidemia que parece invadir muitas das produções cinematográficas, reduzidas a produtos de linha montagem. Mas não avançaremos por esses diagnósticos complexos, não há tempo para isso, seguimos para a próxima paragem.

O argumento, automatizado, colado a “cuspo”, vislumbrando uma extensa paisagem de lugares-comuns e de manientos truques segue até um twist que se adivinha a léguas. Talvez seja o trabalho técnico que nos dá algumas “luzes” do “potencial”. Desde a edição rotineira e recortada do seu arranque, que provoca em nós o efeito de conformismo férreo, até à grande sequência de ação filmada num só take, uma moda muitas vezes apresentada erradamente por muitos com o palavreado “lufada de ar fresco”.

Portanto, nada de novo aqui. Nem a Oeste, Este, Norte ou Sul. Criativamente inexistente, somente mais uma paragem no meio de nenhures.      

Hugo Gomes

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