Menu
RSS

 



Festival de Cannes responde a Paulo Branco

Uns dias depois de Paulo Branco avançar com uma ação de interdição no Tribunal de Grande Instância de Paris para que o filme O Homem Que Matou Dom Quixote não possa estrear no certame, o Festival de Cannes emitiu um comunicado onde explica as razões da escolha do filme para o encerramento do evento, criticando a postura do produtor português contra o festival: "O “forçar assuntos” sempre foi o método favorito do Sr. Branco, e devemos lembrar que ele organizou uma conferência de imprensa há alguns anos onde denunciou o Festival de Cannes porque ele não manteve uma “promessa de selecionar” um dos seus filmes. Essa foi uma acusação que não foi a lado nenhum, porque o Festival não faz promessas de selecionar filmes: ou os seleciona ou não. Hoje, o Sr. Branco tem permitido que o seu advogado use intimidações e declarações difamatórias, tão irrisórias quanto ridículas, uma das quais tem como alvo o ex-presidente de um evento que ele usou ao longo de sua carreira para estabelecer sua própria reputação."

A carta aberta a Branco é assinada por Pierre Lescure e Thierry Frémaux, Presidente e Director Geral do certame, e explica ainda que a escolha do filme se baseia apenas em critérios de qualidade e por ter tido o aval de Terry Gilliam: "A missão do Festival de Cannes é escolher trabalhos puramente por motivos artísticos e a seleção deve, acima de tudo, ser feita com o consentimento do diretor do filme. Este é o caso".

O Festival diz ainda que vai respeitar a decisão do tribunal, seja qual for, mas acrescenta que está ao lado de Terry Gilliam nesta matéria: "Sabemos como este projeto, que passou por tantas provações e tribulações, é importante para ele. O problema foi causado nesta última ocasião pelas ações de um produtor que mostrou a sua verdadeira faceta de uma vez por todas durante este episódio e que nos ameaçou, através de seu advogado, com uma “derrota humilhante”. (...) Derrotar seria sucumbir às ameaças. No momento em que dois cineastas convidados a participar da Selecção Oficial estão em prisão domiciliária nos seus próprios países, numa altura em que o filme de Wanuri Kahiu, Rafiki, que faz parte da Selecção Oficial, acaba de ser atingido pela censura no Quénia, o país onde foi produzido, é mais importante do que nunca lembrar que os artistas precisam de nós para apoiá-los, não para atacá-los. Essa sempre foi a tradição do Festival de Cannes e assim permanecerá."

Recorde-se que O Homem Que Matou Dom Quixote é o projeto "maldito" de Terry Gilliam. Em 2016, Gilliam e Branco chegaram a um acordo em que o primeiro forneceria o financiamento necessário para o projeto e Gilliam teria plena liberdade criativa, em troca dos direitos do filme que ficavam com Branco. Quando Branco alegadamente não conseguiu reunir os fundos prometidos, Gilliam seguiu em frente e encontrou outro produtor que financiou o projeto, a Ukbar Filmes. Branco protestou, com o caso a chegar a tribunal, alegando que o filme não poderá ser lançado sem a sua autorização. Dia 7 de maio será tomada uma posição sobre esta matéria.



Deixe um comentário

voltar ao topo

Contactos

Quem Somos

Segue-nos